Manuel Bandeira

Estou farto do lirismo comedido

Do lirismo bem comportado

Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.

Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo.

Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais

Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção

Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador

Político

Raquítico

Sifilítico

De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo

De resto não é lirismo

Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc

Quero antes o lirismo dos loucos

O lirismo dos bêbedos

O lirismo difícil e pungente dos bêbedos

O lirismo dos clowns de Shakespeare

– Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

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4 Comentários on “Manuel Bandeira”

  1. Lori disse:

    Inverno

    É tudo o que sinto

    Viver

    É sucinto

    P.L.

  2. Dyna disse:

    Inspirador!

  3. Gabi disse:

    foda, Ju.
    queria decorar prá proclamar em mesas de bar!

  4. Fabi disse:

    Manuel sabia como começar uma revolução. Levanta a bandeira!


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